Notícias / Saúde

30/06/26 às 23:39 / Atualizada: 01/07/26 às 00:01

COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento

Angélica Vieira trocou a rotina da UTI pela construção de uma clínica própria, onde planejamento financeiro, coragem e acolhimento se tornaram parte da recuperação.

COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento

Foto: Assessoria

Em Água Boa (MT), a fisioterapeuta Angélica Vieira transformou uma decisão financeira em um projeto de vida. Com apoio do cooperativismo, construiu a própria clínica e descobriu que qualidade de vida também pode ser um caminho para cuidar melhor das pessoas.

Por muito tempo, Angélica Vieira acreditou que seu destino estava dentro de uma UTI. Descobriu, anos depois, que sua maior missão seria construir um lugar onde a recuperação começasse antes mesmo do primeiro atendimento.

Moradora de Água Boa (MT), onde atua há quase 13 anos como fisioterapeuta, ela construiu uma trajetória marcada pela busca constante por conhecimento. Enquanto muitos colegas ainda descobriam as possibilidades da profissão, Angélica já estudava transplante pulmonar, fisioterapia cardiorrespiratória e sonhava em trabalhar em unidades de terapia intensiva.

Em dezembro de 2013, quando concluiu a graduação em Fisioterapia, já estava inserida na profissão. Atuava como estagiária em uma equipe de basquete em cadeira de rodas e, logo após apresentar o Trabalho de Conclusão de Curso, foi contratada como fisioterapeuta.

O sonho de trabalhar na UTI também se realizou.

Durante a pandemia da Covid-19, esteve na linha de frente como fisioterapeuta intensivista, vivendo de perto um dos momentos mais desafiadores da história recente da saúde.

"Hoje entendo que Deus estava me preparando para uma missão", resume.

Quando aquele ciclo terminou, veio uma percepção inesperada. O propósito havia sido cumprido, mas a felicidade estava em outro lugar.

Ela retornou ao consultório no fim de 2021 e reencontrou sua verdadeira paixão: a fisioterapia esportiva e o tratamento da dor.

"Eu costumo dizer que não fui eu quem escolheu essa área. Foi ela que me escolheu."

Na época, atendia em um espaço alugado. O ambiente era excelente, os pacientes eram fiéis e o trabalho acontecia naturalmente. Mesmo assim, uma pergunta começou a surgir.

Valia a pena continuar pagando aluguel?

A resposta não veio da emoção.

Veio do planejamento.

Filha de pais que sempre valorizaram a educação financeira, Angélica fez aquilo que aprendeu desde cedo: colocou tudo na ponta do lápis. Comparou custos, analisou investimentos, avaliou sua reserva financeira e concluiu que construir uma clínica própria fazia muito mais sentido do que continuar investindo em um imóvel que nunca seria seu.

Ela já possuía um terreno próximo ao centro da cidade.

A decisão estava tomada.

O projeto, porém, não seria simples.

Ao contrário do que muitos imaginam, o maior desafio não foi financeiro.

Foi emocional.

Era preciso retirar recursos que estavam investidos com segurança para aplicá-los em uma obra.

No meio do caminho surgiu um obstáculo ainda maior.

A construção enfrentou problemas com a empresa responsável. Grande parte do valor da obra foi paga antes da conclusão dos serviços, obrigando Angélica a fazer novos investimentos para conseguir finalizar o projeto. Além do prejuízo financeiro, houve desgaste emocional.

Mesmo diante das dificuldades, ela decidiu seguir em frente.

Foi nesse momento que o cooperativismo se tornou parte importante dessa história.

Associada ao Sicredi há mais de duas décadas, Angélica realizou os dois financiamentos necessários para concluir a clínica. O relacionamento com a cooperativa, no entanto, começou muito antes da construção. Era no Sicredi que mantinha seus investimentos, sua reserva de emergência e todo o planejamento financeiro que permitiu transformar uma decisão racional em realidade.

Hoje, um dos financiamentos já foi quitado antes do prazo previsto. O segundo também está na fase final graças às amortizações realizadas ao longo do contrato.

Mais do que construir paredes, Angélica conquistou tranquilidade.

As parcelas dos financiamentos passaram a ser menores que o valor do aluguel que pagava anteriormente.

Mas a maior transformação aconteceu dentro da clínica.

Antes, dividia um espaço com outros profissionais.

Hoje, atende em um ambiente silencioso, localizado em um bairro tranquilo de Água Boa, próximo ao centro da cidade, onde o ritmo desacelera logo na chegada.

"O silêncio foi a primeira coisa que percebi quando mudei para cá."

A mudança transformou também sua forma de trabalhar.

Se antes chegava a atender dez, doze ou até treze pacientes por dia, hoje escolhe realizar entre quatro e seis atendimentos diários.

Não porque trabalha menos.

Mas porque decidiu trabalhar melhor.

Também não deseja montar uma grande equipe.

Depois de muito refletir — inclusive durante a terapia — compreendeu que crescer nem sempre significa aumentar números.

Às vezes, crescer significa preservar a própria saúde, oferecer um atendimento mais humanizado e respeitar os próprios limites.

Cada paciente recebe atenção individual, sem pressa, em um ambiente onde o acolhimento faz parte do tratamento.

Talvez por isso exista uma palavra que se repete entre quem passa pela clínica.

Paz.

Os pacientes comentam sobre o silêncio, a tranquilidade e a sensação de bem-estar que encontram no local.

Para Angélica, esse ambiente também faz parte do processo terapêutico.

"Quando a pessoa chega mais tranquila, ela consegue se conectar melhor consigo mesma e aproveitar muito mais o tratamento."

A relação com o Sicredi, entretanto, vai além dos financiamentos.

Filha de uma colaboradora de décadas da cooperativa, ela cresceu acompanhando de perto iniciativas voltadas ao desenvolvimento da comunidade. Cita com orgulho campanhas de arrecadação de tampinhas em benefício do Hospital do Câncer e ações de coleta de resíduos eletroeletrônicos, que ela própria incentiva entre os pacientes por acreditar na importância da preservação ambiental.

"Ser associada à Sicredi Araxingu é muito mais do que ter uma conta. É fazer parte de uma instituição que cresce junto com as pessoas."

Quando abriu a porta da clínica pela primeira vez e viu tudo pronto, nenhuma lembrança da obra difícil veio à mente.

Nem os financiamentos.

Nem os desafios.

Apenas uma palavra.

"Paz."

Era a confirmação de que toda a coragem, o planejamento e a cooperação haviam valido a pena.

Hoje, cada pessoa que atravessa aquela porta encontra equipamentos, técnica e conhecimento.

Mas encontra também algo impossível de medir em números.

Um espaço onde a serenidade também faz parte do tratamento.

Porque, às vezes, o maior investimento não é aquele que constrói uma clínica.

É aquele que transforma a forma como alguém escolhe viver, cuidar e fazer a diferença na vida das pessoas.
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento
  • COOPERATIVISMO QUE TRANSFORMA - O lugar onde a paz também faz parte do tratamento

comentar1 comentário

AVISO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do AguaBoaNews. É vedada a inserção de opiniões que violem as Leis, a moral, os bons costumes e/ou direitos de terceiros. O portal poderá retirar, sem prévia notificação, comentários publicados que não respeitem os critérios impostos e/ou estão fora do tema da matéria comentada.

  • por Maiane Queiroz, em 02/07/26 às 16:16

    Que Orgulho da sua Trajetória, você é merecedora por tudo que conquistou minha amiga.

 
 
 
Sitevip Internet