A maior parte das exportações de Mato Grosso para os Estados Unidos ficou protegida da nova tarifa adicional de 25% anunciada pelo Governo norte-americano, na noite de quarta-feira (15).
Levantamento da Gerência de Desenvolvimento Industrial com Internacionalização, do Sistema Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), aponta que 93,85% da pauta exportadora estadual permanecem fora da incidência da sobretaxa, graças às exceções previstas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Segundo o estudo, dos US$ 209,57 milhões exportados pelo Estado ao mercado norte-americano em 2026, cerca de US$ 196,69 milhões continuam livres da cobrança adicional.
Apenas US$ 12,77 milhões - equivalentes a 6,09% das exportações - ficaram sujeitos à nova tarifa.
Outros 0,05% ainda dependem de validações técnicas relacionadas à classificação tarifária.
Os principais produtos vendidos por Mato Grosso aos Estados Unidos permaneceram na lista de exceções.
Entre eles, estão carne bovina, ouro, madeira serrada e parte da madeira beneficiada, segmentos que concentram parcela significativa das vendas do Estado ao mercado americano.
Para a Fiemt, a manutenção desses produtos entre as exceções reduziu de forma expressiva o impacto das medidas sobre a economia estadual, especialmente para o setor florestal, que chegou a preocupar empresários durante a elaboração das listas tarifárias.
Mesmo assim, nem toda a cadeia da madeira escapou.
Produtos classificados na NCM 4418, que reúnem itens de maior grau de beneficiamento e maior valor agregado, ficaram fora das exceções e poderão perder competitividade diante do aumento dos custos de exportação.
IMPACTO - O levantamento mostra que praticamente toda a exposição de Mato Grosso às novas tarifas está concentrada em apenas dois produtos: sebo bovino e gelatinas e derivados.
O sebo bovino responde por aproximadamente US$ 10,7 milhões das exportações sujeitas à sobretaxa, enquanto gelatinas e derivados somam US$ 1,72 milhão.
Juntos, representam 97,3% de toda a pauta estadual atingida pelas novas medidas.
Apesar disso, a Fiemt avalia que esses setores têm alternativas para reduzir os impactos, já que possuem compradores consolidados em mercados como Países Baixos, Bélgica, Alemanha, Reino Unido, Argentina, México e Austrália.
Isso, segundo a entidade,e permite diversificar parte das vendas caso o mercado americano se torne menos competitivo.
ESTADO SAI EM VANTAGEM - O cenário mato-grossense é bem mais favorável que o observado no restante do país.
Enquanto 93,85% das exportações estaduais continuam livres das novas tarifas, no Brasil, apenas 45,9% da pauta exportadora ficram protegidas pelas exceções definidas pelos Estados Unidos.
Segundo a Fiemt, 31,6% das exportações brasileiras passaram a ser atingidas pelas tarifas decorrentes da chamada Seção 301, além de produtos submetidos às medidas da Seção 232 e à investigação norte-americana sobre trabalho forçado.
Outro fator considerado positivo é o encerramento, previsto para este mês, da sobretaxa temporária de 10% aplicada de forma ampla pelos Estados Unidos.
Com isso, produtos que não foram incluídos nas novas listas deixarão de recolher esse adicional.
Mesmo com esse alívio, a entidade alerta que o ambiente comercial continuará exigindo atenção.
A investigação sobre trabalho forçado permanece em andamento e pode resultar em novas restrições para determinados produtos brasileiros.
Na avaliação da Fiemt, além das discussões tarifárias, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos deverá se concentrar cada vez mais em temas estratégicos, como investimentos, minerais críticos, biocombustíveis, rastreabilidade, inteligência artificial e segurança alimentar.
ENTENDA O IMPACTO
O que muda para Mato Grosso
Exportações para os EUA em 2026
US$ 209,57 milhões
Livres da tarifa de 25%
US$ 196,69 milhões (93,85%)
Sujeitas à tarifa
US$ 12,77 milhões (6,09%)
Produtos preservados
Carne bovina
Ouro
Madeira serrada
Madeira beneficiada (NCM 4409.22)
Produtos afetados
Sebo bovino
Gelatinas e derivados
Produtos de madeira da NCM 4418
* Comparativo nacional