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24/08/26 às 07:31

Intenção de investimento da indústria cai ao menor nível de 2026

Indicador recuou pelo terceiro mês seguido e chegou a 52,6 pontos em agosto; juros elevados, custos de produção e avanço dos importados pressionam o setor

Intenção de investimento da indústria cai ao menor nível de 2026

Foto: Magnific/Reprodução

A intenção de investimento da indústria brasileira recuou 0,6 ponto em agosto e chegou a 52,6 pontos, o menor patamar registrado em 2026. Esta foi a terceira queda consecutiva do indicador, segundo dados da mais recente Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

De acordo com a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, a redução reflete a continuidade de um ambiente macroeconômico desfavorável ao setor industrial.

Entre os principais fatores apontados estão o patamar elevado das taxas de juros, o aumento dos custos de produção e a maior presença de produtos importados no mercado brasileiro.

“O primeiro deles é o patamar elevado das taxas de juros. Em segundo lugar, o forte aumento dos custos de produção que a indústria vem sofrendo desde o início da guerra do Oriente Médio. Em terceiro lugar, a forte entrada de produtos importados no mercado doméstico, que acabam capturando uma parte importante do mercado que seria das indústrias domésticas”, explicou.


Expectativas para exportações e emprego pioram

A queda na disposição dos empresários para investir foi acompanhada pela piora das expectativas para os próximos seis meses.

O índice de expectativa de quantidade exportada caiu 1,5 ponto, chegando a 49,5 pontos em agosto. Já a expectativa em relação ao número de empregados recuou 0,7 ponto, para 49,4 pontos.

Como os dois indicadores ficaram abaixo da linha de 50 pontos, os resultados sinalizam expectativa de redução tanto das exportações quanto do emprego industrial.

Também houve menor otimismo em relação à compra de insumos e matérias-primas e à demanda dos consumidores. O índice de expectativa de compra de matérias-primas caiu 1,2 ponto, para 51,2 pontos, enquanto o indicador de expectativa de demanda recuou 0,7 ponto e ficou em 52,6 pontos.

Apesar das quedas, ambos permanecem acima dos 50 pontos, o que ainda indica expectativas positivas, embora menos intensas do que as observadas em julho.

Segundo Larissa Nocko, a piora na expectativa de exportações pode estar relacionada, entre outros fatores, às tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.

“Particularmente no que diz respeito à queda da expectativa de quantidade exportada, isso pode ser atribuído, em alguma medida, à imposição de tarifas adicionais pelo mercado americano aos produtos brasileiros”, afirmou.


Estoques voltam a crescer

A Sondagem Industrial também mostra que os estoques voltaram a crescer. O índice de evolução do nível de estoques aumentou 1,7 ponto de junho para julho e chegou a 51 pontos.

Foi a primeira vez em 2026 que o indicador ficou acima dos 50 pontos, sinalizando aumento dos estoques de produtos finais após oito meses de queda.

Ao mesmo tempo, o índice que compara o estoque efetivo com o planejado pelas empresas avançou 0,2 ponto e atingiu 50,2 pontos. Segundo a CNI, o resultado mostra que, apesar do crescimento dos estoques, o volume permanece próximo daquele planejado pelos empresários.

Para Larissa Nocko, o movimento pode indicar maior dificuldade das empresas para vender seus produtos no mercado interno.

“O nível de estoques vinha mostrando queda nos últimos meses. E agora, no mês de julho, mostrou um crescimento. Isso indica uma certa dificuldade de escoamento dos produtos para o mercado doméstico”, avaliou.


Produção industrial cresce em julho

Apesar da piora nas expectativas, a produção industrial apresentou crescimento em julho. O índice avançou 2,6 pontos e atingiu 51 pontos, ficando acima da linha que separa crescimento de retração da atividade.

Foi apenas o segundo mês de 2026 em que o indicador apontou expansão da produção industrial. O primeiro havia ocorrido em março.

O índice de evolução do número de empregados também subiu, com avanço de 0,4 ponto, para 48,6 pontos. Mesmo com a melhora, o resultado permaneceu abaixo dos 50 pontos e continuou indicando retração do emprego industrial em relação a junho.

Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) permaneceu estável em 70%. O percentual está um ponto abaixo do observado em julho de 2024 e no mesmo mês de 2025.

Segundo a especialista da CNI, embora o crescimento da produção seja um dado positivo, os demais indicadores ainda recomendam cautela na análise da atividade industrial.

“O emprego mostrou uma continuidade desse processo de retração ao longo dos últimos meses. O nível de Utilização da Capacidade Instalada permaneceu estável nessa passagem de junho para julho, mas ainda assim se mostrou um ponto percentual abaixo do mesmo patamar em que estava no mês de julho de 2025 e no mês de julho de 2024”, concluiu.

Fonte: Brasil 61, com informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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